Jogadores novatos devem notar o nome “Tomorrow Legion” nos títulos de dois livros da linha. O fato do livro principal carregar seu nome, já denota que os jogadores farão parte dela por padrão. Mas afinal, o que é essa tal Legião do Amanhã aí? Por que eles lutam?
O mesmo vale para jogadores veteranos que vieram do jogo original da Palladium! Uma vez que a Legião do Amanhã é uma facção nova no cenário, criada e apresentada na versão de Rifts® para Savage Worlds para servir como “base” dos personagens de jogadores.
Sua introdução no cenário lá em 2016 foi um ponto de crítica dos jogadores veteranos, mesmo entre aqueles que gostaram da proposta selvagem para Rifts. O principal ponto levantado, é que a Legião do Amanhã como facção protagonista sendo objetivamente boa, enfraquece a complexidade moral que o cenário propõe. A Terra das Fendas é cheia de facções moralmente discutíveis para malígnas (com exceção de poucas cidades-estados como Lazlo), o que traz um tom mais sóbrio e maduro para um cenário onde tudo é possível.
Apesar de concordar em partes com tais críticas, eu ainda defendo a Legião do Amanhã, tanto como um ponto de partida para jogadores, quanto como avanço da trama do cenário. Então, vamos descobrir juntos sobre a Legião, e defender a esperança neste artigo!
Das cinzas de Tolkeen...
Savage Rifts® segue a linha linha temporal do cenário até o ano 109 P.A. (Pós-Apocalipse), logo após um dos eventos mais importantes e mais pesados da franquia: o Cerco de Tolkeen. Verdade é, que tal evento mereceria um artigo próprio. Mas para fazer uma longa história curta: foi uma guerra que durou por longos anos contra a Coalizão de Estados (estados supremacistas que querem “retomar a Terra” para a humanidade).
O antigo reino mágico de Tolkeen não era lá flor que se cheire – especialmente no decorrer da guerra – mas era um dos poucos locais onde humanos e D-Bees conviviam em relativa harmonia junto de conjuradores e psíquicos.
A sangrenta e prolongada guerra destruiu Tolkeen e seus feudos, arrasando uma região inteira. E milhares de pessoas perderam seus lares e familiares para os horrores da guerra. O fluxo colossal de refugiados deste conflito, obviamente não estariam seguros em territórios da mesma Coalizão que destruiu seu país, então, se dispersaram.
Coube a Lorde Coake e seus cavaleiros que permaneceram leais, guiar os sobreviventes em segurança para um novo lar. E isto, o destino proveu.
Inclusive, o conto Batismo nas Chamas do Ódio retrata o momento drástico das últimas horas do conflito e a trágica evacuação dos sobreviventes!
...renasce a Esperança
No mesmo período, um clã de anões recém tragados para a Terra das Fendas, tentava múltipla vezes construir uma fortificação para protegê-los dos perigos da Zona Mágica. O Clã Coração de Martelo perambulou o vale do Mississippi até chegar em uma construção pré-Cataclismo nas fronteiras do Arkansas com o Missouri, nos moldes das antigas fortificações da idade Média da Terra – o que lembrava o mundo natal dos anões. Lá, a Chefe Dhara determinou que seria a fortaleza derradeira do clã.
Apesar de estar em relativo bom estado após três séculos da Idade das Trevas, a construção era incompleta e precisou ser reparada e expandida pelos anões. O que não seria difícil… se um exército de brodkils (subdemônios humanoides de pele avermelhada e cheios de implantes cibernéticos) não estivesse cercando o castelo!
Foi neste momento que Coake, seus Cyber-Cavaleiros chegaram – no momento certo! Psi-Espadas e poderes psiônicos sagrados foram essenciais para varrer a horda das imediações e livrar o castelo. Em uma conversa após a batalha, ambos os lados perceberam que tinham algo em comum e se complementavam: os anões tinham uma fortaleza, e os cavaleiros protegiam colunas de sobreviventes em busca de um refúgio.
Foi assim que a base do que meses depois seria a Legião do Amanhã se formou. Forjado pela engenhosidade dos anões, e do empenho dos Cyber-Cavaleiros em proteger o bem comum; Castelo Refúgio, brilha o sol nascente de um novo Amanhã.
O manifesto do Amanhã após a Longa Noite
À primeira vista, a Legião do Amanhã é uma congregação de heróis de diferentes origens e especialidades (vulgo, PJs) que protegem inocentes do mal. O que não está errado, mas a Legião é mais do que só isso.
A Legião do Amanhã é sim, composta por um grupo crescente de aventureiros dispostos a fazer missões em terras distantes, mas este é um grupo seleto dentro da organização. Fato é, que a Legião é um exército dedicado a proteção do Castelo Refúgio e assentamentos coligados. Além disso, proteger os refugiados de Tolkeen é o objetivo primário atualmente.
Para isto, ela conta com três batalhões de infantaria mecanizada prontos para responder à qualquer emergência. É certo que três batalhões não são muita coisa contra a máquina de guerra da Coalizão de Estados e hordas ìnferas da Federação da Magia, entretanto, lutar contra estas duas facções malígnas está sim no longo prazo da Legião do Amanhã.
Não por ânsia de glória ou vingança, mas sim por que é inevitável. O Conselho da Esperança (o corpo governante de Castelo Refúgio) sabe que uma guerra entre os dois irá acontecer em algum momento. E quando isto acontecer os legionários deverão estar prontos para defender os inocentes mais uma vez. Como exatamente a Legião pretende superar as duas facções? Isto é um segredo bem guardado por Dhara, Coake e outros seletos.
Mas uma coisa é certa: este plano com certeza envolve aumentar a lista de aliados. Afinal, lutar contra a escuridão é uma tarefa que não é feita só!
Por que a Legião do Amanhã?
Mas afinal, por que introduzir uma facção nova a esta altura do campeonato? Sendo que Rifts já possui inúmeras facções únicas à cada canto, incluindo as tão tolerantes sociedades de Lazlo, Nova Lazlo e Arzno por exemplo. Eu creio que justamente o apelo da Legião do Amanhã no cenário é serem o garotos novos no pedaço, e justamente por isso que ela ressoa bem com jogadores novos. Falo da rara perspectiva de um.
Castelo Refúgio mal possui um ano de fundação, e já é cheio de ex-membros de Tolkeen e da Coalizão lado-a-lado na luta. A perspectiva otimista de uma facção nova que olha pro futuro – para o Amanhã – ao invés de ficar presa no passado é realmente interessante, e eu tenho um gosto por underdogs na ficção e no RPG.
Motivos de game design
Savage Worlds tem a famosa filosofia de “Rápido, Furioso e Divertido“ que todos conhecem. O quem nem todos levam em conta, é que ela também vale para seus cenários e aventuras.
A Legião existe para um motivo muito simples: dar uma motivação firme para os jogadores não perderem tempo com firula. Rifts, por ser tão aberto em possibilidades, tem o clássico problema de “como é que esse grupo vai estar junto?”. Ou o mestre fazia uma campanha com mercenários, rendendo uma motivação batida e fraca, ou fazia uma mesa com uma das facções, o que restringe opções de personagens (e também, um jogo com a Coalizão por exemplo, requer um certo nível de maturidade por parte dos jogadores).
Imagine passar horas criando o seu Ley Line Walker pra daí o mestre vir e dizer que o jogo é com a Coalizão que abomina magia? Então a solução prática: criar uma facção protagonista que abrace todos os tipos de personagens que lutam pelo bem comum.
Divagando...
Entrando em uma tangente pessoal, Rifts não é um cenário leve, tanto em tom, quanto em lore, quanto em mecânicas. Apresentar a sua proposta insana da realidade rasgada em fendas de forma madura é realmente o que torna um cenário único. A mesma abordagem é levada para as diferentes nações e sociedades.
A Coalizão de Estados ser um império fascista de supremacia humana, é uma consequência plausível de literais monstros e efeitos bizarros existirem – o que não reduz o fato que eles são malígnos. O mesmo vale para nações como Lazlo, a caída Tolkeen e a Federação que veem a vinda da magia como uma oportunidade, para o bem ou para o mal.
“Ah, mas uma facção objetivamente boa não entra em conflito com isso?”
Na minha visão, não! Primeiro, que heróis com uma visão clara em um mundo sombrio é realmente um dos meus tropos favoritos! Segundo, há várias formas de você adicionar uma pitada de cinza. A Legião em si se compromete na defesa dos inocentes e lutar pelo Amanhã, deixando de lado motivações mesquinhas como vingança – mas que disse que isso precisa se aplicar aos seus membros? Dentro do meu jogo, há uma Shifter que fez parte da Federação da Magia e fez coisas horríveis em nome de Lorde Duscon. Mas por algum motivo que eu não devo falar, ela traíu seus mestres e foi para Legião do Amanhã. Por redenção? Não! Por vingança contra Dunscon! E ela tem planos para tal. Por exemplo.
Um bom jogo com a Legião do Amanhã, deve mostrar que ser um heroísmo requer esforço e sacrifício. É daí que vem a complexidade moral que o cenário exige!
Concluindo
Por fim, não podemos subestimar o poder de uma base para os jogadores, e Castelo Refúgio tem este exato propósito! Parte do apelo de uma campanha com a Legião do Amanhã, é que ela começa pequena, mas ela vai crescendo com cada decisão, cada aliança e cada grupo de refugiados que os jogadores escoltam. Acima de tudo, as decições dos seu jogadores devem pavimentar a estrada para um melhor Amanhã!
Tudo o que eu disse neste artigo é parte opinião pessoal e também um resumo do que está no Savage Rifts® – Game Master’s Guide. É lá onde a Legião do Amanhã e descrita em detalhes! Incluindo os diversos NPCs e até um mapa de Castelo Refúgio! Então, uma…
Dica bônus!
Embora Castelo Refúgio seja amplamente detalhado no livro, o mesmo não é dito sobre o crescente vilarejo ao redor dele. Isto pode ser uma oportunidade perdida se não for levada em conta, mas, já pensou se tivéssemos um guia de construção colaborativo de povoados para nos ajudar? De bônus fazendo o processo ser divertido? Louco, não?



