O que Dispatch tem a nos ensinar sobre um jogo com Super Poderes?

dispatch_blog

Quem está minimamente informado no mundo dos games, sabe que Dispatch se tornou a febre mais recente em 2025. Para surpresa de imensa maioria da comunidade, que não esperava o retorno triunfal dos jogos no narrativos de escolha como os da falecida Telltale Games. O jogo da estreante AdHoc Studios (estúdio formado por ex-membros da Talltale) em colaboração com o Critical Role já quebrou todas as expectativas, por um BOM motivo!

Para quem não sabe, o jogo se passa num universo de supers com heróis e vilões pra todo canto. Porém com uma abordagem mais “defensores do bairro” onde você controla um despachante de super-heróis para a SDN (Superhero Dispatch Network). Sim! Um jogo de supers assalariados lidando com problemas como assaltos, proteção de figuras públicas e até resgatar gatinhos perdidos! 

Já vou adiantando que este artigo não é uma resenha do jogo. Mas se querem a minha opinião, eu vou fazer uma longa história curta: eu absolutamente recomendo! Primeiramente, a proposta (por mais que ela não pareça à primeira vista) é bem refrescante para a temática de super-heróis. Segundo, um jogo deste tipo vive ou morre  com a qualidade da escrita e o carisma personagens, e eu posso garantir que esses pontos são marcados com maestria! Isto acompanhado de uma dublagem e animação fenomenal!

Tá mas... sobre o assunto

Para começar, o ponto central deste artigo vale para qualquer sistema que você esteja usando para seu jogo de supers. Seja ele Masks, Mutants & Masterminds, Marvel Heroic Roleplaying, ou o meu favorito: Savage Worlds com o Compêndio de Super Poderes

O ponto é, que Super Poderes devem ser mais do que raios brilhantes, super velocidade ou super socos. Uma coisa que é prevalente em mídia de supers, são que grandes poderes vem com grandes… fraquezas! O que? Achou que eu eu repetir a famosa frase? Achou errado!

E Dispatch não se contenta e dar fraquezas típicas e clichês para seus personagens – então nada de herói invencível até ter scriptonita por perto. Pelo contrário, “fraquezas” de certos personagens não se passam de uma consequência natural de seus poderes. Pense como o “outro lado da moeda” do poder. E isto tem uma grande relevância durante o jogo.

Curioso(a)? Eu vou mostrar com 3 exemplos de personagens (obviamente, evitando spoilers dos Episódios 3 em diante):

Invisiva

Pra começar, alguém com poder de invisibilidade ser tão impulsiva já cria um contraste interessante. Invisiva é a opção de romance mais popular entre jogadores, o que não é sem motivo, dada a sua importância na estória. Seu poder (e identidade) tem uma limitação interessante: ela fica invisível ao prender a respiração. 

O que é interessante, sabendo ela é asmática e ainda por cima, fumante! Como ela consegue prender a respiração e ficar invisível por tanto tempo? Bom, tem uma resposta, mas aí está além do escopo deste artigo.

Chase – Cometa

Quando encontramos o velhinho Chase no almoxarifado, ficamos surpresos ao saber que o “Eistein Negão” é de fato o herói Cometa – “velho” amigo de Robert e quem indicou o ele para a SDN. O motivo de sua aposentadoria prematura como herói e emprego de escritório foi… justamente seus poderes.

Cometa era o velocista da Brigada Bravia, entretanto ele só percebeu tarde demais que hiperaceleração não tinha efeito só no ambiente, mas também em seu próprio corpo. Correr 50x mais rápido te envelhece 50x mais rápido. Uma conclusão um tanto lógica, não? Mas é graças a isto que ele é homem de 39 anos mais velho que há.

Robert – Homem-Mecha

Por último e mais importante: nosso protagonista, Robert Robertson III (sim, este é seu  nome). O que leva um herói renomado a um emprego das 9-5 como qualquer outra pessoa? Bom, o Homem-Mecha perdeu o seu mecha e não tem grana para o conserto. 

Para sermos justos, o conceito de um superherói que não tem superpoderes de fato não é novo. Afinal, tem pelo menos um cara parecido e um LARPer de morcego em universos diferentes com conceitos semelhantes. Mas ao contrário destes caras, o superpoder de Robert não o torna imune à dificuldades financeiras, logo, uma proposta de emprego como despachante na SDN fica praticamente irrecusável. 

. . .

Foram três exemplos que eu mal arranhei a superfície em como são desenvolvidos e, sim, são muito relevantes no decorrer da estória. Além disto, esta dinâmica também se aplica aos personagens secundários e os demais membros da Equipe Z (a turma de ex-vilões que Robert deve ajudar a reformar!). Um desses exemplos é Aquaboy, o zelador que tem o incrível poder de ficar molhado e vomitar água… Yeah. 

Uma boa parte são usados como alívio cômico ou aquele aceno aos tropos batidos de quadrinhos (muito bem usados, nada de comédia pastelona aqui), mas os três exemplos aqui e outros são bem mais do que isto. O segredo aqui é pensar no que torna os seus superpoderes interessantes, além de serem bem, poderes.

Pense em como aquele superpoder afeta o seu personagem no dia-a-dia, quais são os possíveis efeitos colaterais daquele poder, ou quais são os requisitos para ativá-los, e por aí vai. Você conseguirá criar personagem mais interessantes de interpretar, dentro e fora dos combates e cenas dramáticas e cheias de ação. Vai por mim, o melhor heroísmo não vem só de combater os vilões e malfeitores da cidade, mas também de lutar contra as suas barreiras pessoais. As melhores estórias de supers são assim.

Concluindo

É, inesperado que um jogo de comédia de escritório com superpoderes poderia poderia ser tão criativo com um gênero que, honestamente, anda meio fadigado nos últimos tempos. Mas não é somente como os poderes são ou deixam de ser usados que este jogo brilha. E sim, em contar um ÓTIMA estória mesmo, com personagens cativantes, relacionamentos e reviravoltas – somado à interatividade das escolhas e discussões casuais no trabalho.

Eu não sou lá um fã de quadrinhos de superheróis, e nunca fui além do casual. Este é o motivo de apesar de gostar da mecânica do Compêndio de Super Poderes, eu joguei bem pouco com ele. Mas, eu devo admitir que Dispatch acendeu aquela chama da curiosidade em jogar uma mesa de supers de fato. Com direito a capas e trajes coloridos!

Aliás, quer saber mais da aplicação de Savage Worlds para supers? Estamos um pouco além do escopo deste post, então fique com o Matheus Herpich do Ideias Arcanas mais uma vez!

Se está interessado(a), a versão base de Dispatch está por 80 pilas na Steam, com todos os seus 8 episódios! O jogo tem pacotes especiais com os quadrinhos de origem dos personagens. Além disto, é praticamente certeza que terá uma 2ª temporada em algum momento, dado o seu sucesso! 

Siga a Odyssey em nossas redes sociais para mais notícias selvagens!

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é logo_canal_odyssey.png

Compartilhe esse post:

+ ARTIGOS