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Resenha Crystal Heart – por Marcos Mauro

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Imaginem um mundo em que os seres humanos não tem um coração de sangue e carne pulsando em seus corpos, mas sim pedras. E apesar de tudo é plenamente funcionam em seus corpos. Mas além disso, nesse mesmo mundo também existem cristais que influenciam de maneira intensa nesse mundo, produzindo uma natureza caótica que seu ponto de origem é o próprio cristal. Esse é o mundo de Crystal Heart.

Crystal Heart é um cenário de Savage Worlds bastante curioso, tanto pela forma como ganhou destaque pelo público quando pela sua proposta. Nos tempos mais soturnos da pandemia de covid-19, este RPG, tal como outros, foram fornecidos gratuitamente em formatos de pdf, até por que a leitura foi uma das formas de lutar contra o isolamento. O que chamou a atenção foi o fato deste cenário ser bem recente, saindo de um Kickstart de sucesso e já sendo fornecido gratuitamente por um tempo.

 O livro por si é muito bonito, ele pegou uma época de desenhos da Escola Californiana de artes, vulgo Cal-Arts, com traços arredondados e cores mais claras, dando um ar mais confortável na leitura visual, com desenhos como Steven Universo marcando uma leve inspiração ao cenário.

A história gira em torno dos agentes da Syn, uma organização que se encarregou de lidar com os cristais selvagens que influenciam o continente das Cinco Terras, uma região que veio a surgir 800 anos após as ruínas da civilização, com povos bem distintos culturalmente, etnicamente e tecnologicamente. Os jogadores são estes agentes da Syn, que tem como objetivo lidar com estes cristais, remove-los do local que está sendo afetado por eles, ou tirar de pessoas que julgam possuírem controle sobre eles. 

Os agentes, além de possuírem responsabilidades tanto pela sua organização quanto pelos locais que viajam, possuem um dispositivo que substitui se coração por um sistema de encaixe que pode substituir por outros cristais, uma mecânica muito importante e que leva o nome deste cenário. Os cristais, além de influenciarem a natureza do espaço que se encontram também concedem poderes aos agentes quando instalados nos espaços que estavam seus corações, tudo graças as tecnologias da Syn. Nas mãos de pessoas comuns, quase sempre os resultados são extremamente desastrosos.

O que me chama mais a atenção num cenário de Savage Worlds é como ele traz mecânicas diferentes do que o livro básico pode dispor, e esse é o caso de Crystal Heart. A mecânica dos cristais é extremamente robusta, onde cada cristal tem temas que influenciam na aparência e personalidade do seu usuário, proporções de força cristal baseado em estágios do Savage Worlds, poderes específicos de cada tema e até uma mecânica de truques em que o agente pode usar da criatividade para extrair poderes diferentes do cristal que possui. 

Todas estes poderes são utilizados com a perícia arcana Canalizar Cristal, que se relaciona com o atributo Espírito, e usa a regra “Sem pontos de poder”, contido no livro básico. Há de se considerar o cenário é bem permissivo no uso dos poderes do cristal, fazendo com que o agente possa usar um poder mesmo que falhe, mas sofrendo um nível de fadiga como custo, por outro lado a falha crítica é muito tensa e dramática, fazendo com que ocorra uma dessincronização, em que o Agente começa a se sufocar pois o vínculo entre a mente e o cristal foi comprometido, fazendo com que este agente e outros tenham que lutar para que seja feita a ressincronia. Lembre-se, os cristais são corações!

Apesar de tudo, o cenário acaba passando uma propaganda enganosa de que os cristais podem ser um “tira e coloca” para os agentes. De fato esse era um dos meus receios com o cenário, considerando que outros cenários de Savage Worlds, em especial os Cyberpunks, tem mecânicas que tornam leviana a troca de peças que literalmente são parte do corpo do usuário. Inegavelmente, a Syn criou estes dispositivos de encaixe para que exista a versatilidade no uso dos cristais, mas longe de parecer uma troca de armas no estilo de MegaMan, a troca de cristais é um processo que é fortemente recomendado que seja feito com mais de uma pessoa treinada, e que não envolva o próprio usuário deste cristal. O cenário coloca bastante ênfase do cuidado, por que, novamente, estamos lidando com corações, mesmo que de pedra. Normalmente não se é exigido testes para a troca de cristais, mas em momentos intensos o mestre pode exigir um teste de Cura -1, ou um teste de Cura -2 para um Agente imprudente que pretende fazer esse processo em si mesmo.

Crystal Heart conta com uma história bem interessante, eu um ambiente bem rico de possibilidades de narrativas tanto sobre as cinco terras que os agentes viajam, quanto pela forma como a organização Syn pode ser tratada nas aventuras, seja ela benevolente ou antagonica com os prórios jogadores. Isso também ajuda a estabelecer o tom pretendido no cenário, para que possa ser inclusivo tanto para crianças quanto para adultos. Podendo tanto ser uma divertida aventura humorada de caçada de cristal, como uma trama global envolvendo alguma outra organização interessada no uso dos cristais.

Crystal Heart está para ter sua campanha de financiamento coletivo iniciada pela editora Odyssey, e é uma ótima pedida se o seu grupo deseja uma abordagem diferente para os recursos que SWADE oferece. Além também ser visualmente lindo, contém uma história complexa e misteriosa, podendo apresentar momentos dramáticos e emocionantes para jogadores completamente envolvidos nas aventuras.

A Odyssey agradece nosso parceiro Marcus Mauro da Cabana do Elfo por essa incrível resenha.

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